segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ENQUANTO...

Enquanto a pena for maior que a ação, enquanto o pesar for maior que a esperança, enquanto a insegurança for maior que a vontade de mudar, enquanto a ganância for maior que a caridade, enquanto precisarmos de religiões para falar com Deus e sermos crentes nele, enquanto ajudar uma pessoa na rua for menos importante do que reclamar do sistema que não cuida dos seus, enquanto a morte for o fim, enquanto o amor estiver em segundo plano, enquanto a energia for desperdiçada, enquanto o medo reinar sobre a esperança, enquanto a dor doer mais do que realmente dói, enquanto nossa casa não for o mundo todo, enquanto o dinheiro valer mais que tudo, enquanto a pressa valer mais que a perfeição, enquanto quantidade for qualidade, enquanto nossos olhos e ouvidos forem da Motorola ou da Apple e nossos passos guiados pela Adidas ou Nike (enquanto eu escrever esses nomes com letra maiúscula como se fossem algo realmente importante), enquanto novelas fizerem mais sentido do que livros, enquanto seguirmos o cão pastor errado, enquanto formos ovelhas cegas e surdas, enquanto abraços forem dados pelo “buddypoke”, enquanto vivermos mortos e morrermos mais mortos ainda, enquanto o outro lado da vida for a realidade social contraria a que você vive, enquanto olharmos pra dentro da carteira e não pra dentro da alma antes de falarmos que não somos felizes, enquanto a cor da pele, o estilo de musica que se gosta, a doutrina religiosa em que se acredita, o esporte que se pratica, a forma física ou qualquer outra superficialidade forem motivos para exclusão ou segregação, enquanto a chuva for só água caindo do céu, enquanto um passaro cantando for só um barulho chato que nos acorda, enquanto uma árvore que invade nossa varanda por falta de poda for motivo de revolta, enquanto a confiança for quebrada em pedaços tão pequenos que virem areia na praia, enquanto um jogador de futebol ganhar mais que um professor, enquanto os professores forem só pessoas chatas que nos ensinam coisas que não usaremos na maior parte de nossas vidas, enquanto colecionarmos pessoas no orkut, enquanto tirarmos fotos apenas para que nossos itens colecionáveis vejam como somos bonitos, ricos e poderosos, quando na maioria das vezes não somos...Enquanto idosos forem tratados como velhos, enquanto os jovens forem velhos de alma, enquanto crianças agirem como adultos, enquanto adultos sonharem em voltar a ser crianças, enquanto pagar 5 reais pelo melhor chopp da cidade for lucro e dar 5 reais para caridade for demais, enquanto sempre houver tempo para um chopp, mas nunca para separar uma roupa usada para quem precisa, enquanto vidas forem vendáveis, enquanto preferirmos o ar-condicionado ao frescor puro da natureza, enquanto menosprezarmos nossas florestas, enquanto acharmos que “Cristo” é o sobrenome de Jesus, enquanto não amarmos aprender e não aprendermos a amar, enquanto a melhor maneira de saber que a minha mensagem vai ser lida, for usar o vicio que se instalou na maioria da população jovem do mundo que é exatamente esse que te acomete neste exato momento, o vicio de passar horas na frente desta tela datilografando abraços, beijos, conselhos e quaisquer outras coisas que nossos pais faziam ao vivo com seus amigos, parentes, namorados etc. Enquanto aquecermos o planeta e esfriarmos nossos corações, seremos todos piões, rodaremos incansavelmente sem rumo ou objetivos concretos de vida, sem aspirações realmente validas para o crescimento de nossas almas e para a manutenção do mundo que nos foi dado de presente e nós, como boas crianças mimadas, os tratamos como o presente que não agradou, como o par de meias em meio a tantos brinquedos lindos e cheios de funções mirabolantes, mas que não são capazes de nos aquecer quando temos frio.



By Flávio Monteiro

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