Mulheres com rostos borrados,
joelhos calejados e olheiras profundas.
Mulheres a espera do homem
que a meses, ou até mesmo anos,
saiu pela porta e no entanto não voltou.
Mulheres de atitudes corajosas,
gestos de esperança e almas não mais existentes.
Homens com roupas imundas,
braços e pernas, de muitos, amputadas,
fortes e armados.
Homens que na esperança, morreram,
na vida lutaram e em casa deixaram a saudade.
As vidas tiradas nas trincheiras
não serão substituídas,
e nem minimizadas com uma campainha de lamento.
As vidas tiradas num campo de batalha
não serão trazidas de volta com um abraço e um lenço.
As roupas ainda no armário,
o perfume na penteadeira,
o cheiro deixado no lençol
são marcas que nem o tempo apaga,
são marcas de sangue que a vida deixou passar.
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